Os Mutantes

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008



Os Mutantes foram a banda de rock mais original do rock brasileiro, ou quem sabe do mundo. O trio formado por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias apresentava um rock anárquico e experimental, que misturava desde psicodelia, Beatles, música concreta, música erudita e até o samba. Tudo isso com muita distorção de guitarra. Junto com seus colegas Tropicalistas: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Capinan e Nara Leão, eles atearam fogo no cenário musical brasileiro.

Tudo começou em 1964, quando os irmãos Baptista, Arnaldo (baixo, teclado) e Sérgio (guitarra) formaram a banda adolescente chamada Wooden Faces. Porém esta teve vida curta e logo depois eles montaram uma nova banda, o Six Sided Rockers, já com a presença de Rita Lee. O grupo ainda trocou de nome mais uma vez, para O Konjunto, até ser batizado definitivamente de Mutantes, que fora inspirada no livro de ficção científica “O império dos mutantes”, do francês StefanWul.

Em 1966, com o conjunto bem entrosado, os Mutantes passaram a fazer participações em programas de TV bem populares, tais com “Astros do Disco”, “Jovem Guarda”, “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”. Isso permitiu que o som deles chegasse aos ouvidos do maestro Rogério Duprat, que encantado, os chamou para contribuírem no arranjo de “Domingo no parque”, canção de Gilberto Gil para o III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record de São Paulo (1967). Não satisfeitos com isso, eles ainda acompanharam o próprio Gil em sua apresentação no mesmo festival.
Esse evento abriu as portas para um primeiro compacto – O RELÓGIO (1967) – e a participação no “disco-manifesto” TROPICÁLIA OU PANIS ET CIRCENSIS (1968), que deflagou o Movimento Tropicalista.

Em 1968, eles lançam o seu primeiro LP, OS MUTANTES chegam as lojas , apresentando um repertório forte, bem psicodélico, com muita microfonia e longas passagens instrumentais. Tudo isso sob a “batuta” do maestro Rogério Duprat e do irmão Cláudio César, nos efeitos de estúdio e nos instrumentos. Mas o impacto mesmo ocorreria ao acompanhar Caetano Veloso na canção “É proibido proibir”, no III Festival Internacional da Canção da TV Globo do Rio, no qual se ouvia vaias de um lado e gritos de guerra do outro.

O ano de 1969 também é rico em acontecimentos. Gravam o segundo disco MUTANTES, sensivelmente melhor, onde mostram grande evolução musical, principalmente no que concerne a arranjos e composições. Canções como “Dom Quixote”, “2001” e “Algo mais” mostram que estavam bem afiados, sendo esta última utilizada para um comercial da Shell.

Pela primeira vez viajam para o exterior, França e Europa. Na volta a “família mutante” cresce com a entrada dobaterista Ronaldo Leme (Dinho) e o baixista Arnolpho Lima (Liminha).

Os dois álbuns seguintes "A DIVINA COMÉDIA OU ANDO MEIO DESLIGADO (1970) e JARDIM ELÉTRICO (1971) manteve o nível, flertando agora com o blues, o soul e o hard rock. Eles ainda fizeram um show no Olympia de Paris, onde aproveitaram a estada na Europa para gravar um disco para o mercado internacion
al, todo em inglês, que só foi lançado vinte anos depois (2000).
Paralelamente aos Mutantes, Rita Lee vinha gravando discos solos, que alimentavam os rumores de sua saída da banda. Fato que se consumou após a gravação do fraco MUTANTES E SEUS COMETAS NO PAÍS DO BAURETS (1972). A partir daí tudo se modificou, enquanto Rita Lee se firmava como uma estrela de primeira grandeza da Música Popular Brasileira.

Arnaldo Baptista, continua com os Mutantes por mais um disco – O A E O Z (gravado em 1973 e lançado em 1992), para depois seguir em carreira solo, onde alterna bons e maus momentos, com destaque para o álbum LOKI? (1974). Já Sérgio Dias tentou levar a frente os Mutantes, agora progressivo, sem muito sucesso.
Mais dois discos foram lançados - o TUDO FOI FEITO PELO SOL (1974) e o AO VIVO(1976).

Contudo o fim da banda era inevitável. E dessa forma chegou ao fim a incrível jornada dos Mutantes, uma das bandas mais criativas do rock.



"Discografia"





Os Mutantes -1968



Mutantes - 1969



A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado - 1970



Tecnicolor - 1970



Jardim Elétrico - 1971



Mutante E Seus Cometas No País Dos Baurets -1972



O A e o Z - 1973



Tudo feito pelo Sol - 1974



Ao Vivo - 1976



Cavaleiros Negros - 1978




Outros:


Mutantes - Tropicália ou Panis ET Circenses 1968



FAIXAS:
1.Miserere Nóbis (Gilberto Gil - Capinan) 3:44 Intérprete: Gilberto Gil
2.Coração Materno (Vicente Celestino) 4:17 Intérprete: Caetano Veloso
3.Panis et Circenses (Caetano Veloso - Gilberto Gil) 3:35 Intérprete: Os Mutantes
4.Lindonéia (Caetano Veloso) 2:14 Intérprete: Nara Leão
5.Parque Industrial (Tom Zé) 3:16 Intérpretes: Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Os Mutantes
6.Geléia Geral (Gilberto Gil - Torquato Neto) 3:42 Intérprete: Gilberto Gil
7.Baby (Caetano Veloso) 3:31 Intérpretes: Caetano Veloso e Gal Costa
8.Três Caravelas (Las Tres Carabelas) (Algueiro Jr. - Moreau; versão em português: João de Barro) 3:06 Intérpretes: Caetano Veloso e Gilberto Gil
9.Enquanto Seu Lobo Não Vem (Caetano Veloso) 2:31 Intérpretes: Caetano Veloso
10.Mamãe, Coragem (Caetano Veloso - Torquato Neto) 2:30 Intérprete: Gal Costa
11.Bat Macumba (Caetano Veloso - Gilberto Gil) 2:33 Intérprete: Gilberto Gil
12.Hino ao Senhor do Bonfim" (João Antonio Wanderley) 3:39 Intérpretes: Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Os Mutantes





Caetano Veloso e Mutantes - Ao Vivo 1968




Os Mutantes Ao Vivo em Londrina - 1975



Links retirados do blog [ Cogumelomoon ]

3 comentários:

Getúlio disse...

os album mutantes - 1969 esta offline concerta ai pra nos..
E ta de parabéns o post e o novo visual do rockprogressivobr

Getúlio disse...

corrigindo o album "A divina comédia ou meio desligado" q esta offline..

Eduardo Maia disse...

Amigo, qual a senha pra descompactar o Tecnicolor - 1970???

Parabens pelas postagens!


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